depressc3a3o-iiRecebi o texto abaixo no meu inbox, uma pessoa de Várzea Alegre que pediu para não ser identificada, mandou-me as linhas que vocês lerão agora, na esperança de ajudar quem passa pelas mesmas situações relatadas.

Depois de lê-lo, me senti na obrigação de publicá-lo aqui no site, obviamente com permissão. Leiam atentamente e se você está sofrendo de psicologicamente de alguma forma, procure ajuda de um psicólogo, de um psiquiatra.

VOCÊ PRECISA PARAR!

VOCÊ PRECISA PARAR DE FALAR QUE IR AO PSQUIATRA É COISA DE GENTE LOUCA!

Por que quando temos um problema físico achamos normal procurarmos um médico especialista, mas quando temos um problema mental não pensamos da mesma forma?
Fui diagnosticada com transtorno misto (depressivo/ansiedade) em 2015. Já tomava remédio para ansiedade prescrito por um neurologista desde 2009, mas, por questões financeiras e medo do preconceito, não fiz o tratamento completo. Procurei um psiquiatra em 2015 e, desde então, tenho feito esse acompanhamento com ele e também com um psicólogo.
Sempre fui uma pessoa calada e essa característica minha foi um dos motivos que agravou minha saúde mental.
Nem diante da pior coisa que já aconteceu comigo, fui capaz de pedir ajuda.
Guardei só para mim! Todo tipo de sentimento ruim, guardei só para mim.
Hoje, procuro não mais fazer isso.
Algumas coisas tiveram motivos para que eu não procurasse ajuda, uma delas é o machismo da nossa sociedade. Não contei a ninguém porque eu me sentia culpada.
É por isso que…

VOCÊ PRECISA PARAR DE FALAR QUE A CULPA É DA MULHER!

Minha primeira relação sexual foi através de um estupro em 2009. O remédio que citei que tomo desde 2009, é porque procurei um neurologista na época por conta de fortes dores de cabeça e insônia, todavia, eu não contei para ele o que havia acontecido. Não contei para ninguém, pois me sentia culpada.
Por que eu me sentia culpada? Porque cresci ouvindo que a culpa é da mulher, então não tive coragem de procurar a polícia e nem de falar para ninguém, a vergonha venceu. O que as pessoas da minha típica cidade interiorana iam pensar de mim?
A violência física não é “nada”, comparada a emocional e intelectual.
Sentia-me um ser desprezível, tinha nojo de mim, sentia que mereci aquilo.
O sentimento de culpa foi aos poucos me destruindo. Eu simplesmente não conseguia contar a ninguém, nem para o meu namorado da época. Não confiava nele, pois era muito ciumento, ele jamais me perdoaria. Além disso, o agressor me ameaçou por um tempo. Dizia que ninguém ia acreditar. A depressão então foi chegando de forma sutil. Pensei várias vezes em cometer suicídio. Não via outra saída.
Hoje, estou aqui escrevendo esse texto e estou bem melhor. Compartilhar com mais pessoas é algo motivador, é literalmente dividir a carga. Todavia, é um processo. Têm dias que estou bem, outros não.
Mas por que estou aqui compartilhando algo tão íntimo, se estou melhor?
Porque você, que costuma usar as frases que usei em caixa alta…PRECISA PARAR!
Você precisa parar de dizer que depressão é frescura, falta do que fazer ou falta de Deus. Depressão é uma doença.
Você precisa parar de julgar o sofrimento alheio. Existem razões que você desconhece que levam uma pessoa a ter transtornos mentais.
Se você não entende, apenas respeite. Respeite a dor alheia! Se você não tem algo de bom a dizer, fique calado.
E você, que passou ou passa por algo semelhante, por favor, procure ajuda. Divida sua dor com outra pessoa. Não cometa o erro que cometi, pois quanto mais cedo procurar um tratamento, melhor será. Procure ajuda profissional! Desabafe com quem você confia! Só não desista!
Você não está sozinha!

OBSERVAÇÕES: O objetivo principal desse texto é encorajar pessoas que têm transtornos mentais, mais especificamente, depressão. Todavia, precisei compartilhar outra questão que também ainda precisa ser debatida, que é a violência sexual. Precisei expor isso porque desejo profundamente que você entenda que existem razões e situações que põe em risco a saúde mental das pessoas.
Uso o anonimato porque preciso me preservar e preservar minha família de possíveis julgamentos, embora o objetivo do texto seja justamente incentivar a abolição dessa prática.
Contento-me em acreditar que o meu relato pode, de alguma forma, ajudar alguém.

Sofreu alguma agressão? DISQUE 100.

Existe também o CVV, que presta atendimento online e por telefone, DISCANDO 141 para prevenir o suicídio.