imageO site Várzea News divulgou hoje numa matéria bastante informativa, dados acerca da violência contra a mulher em Várzea Alegre, informados pela Polícia Civil.

Os dados informam que 13% da violência registrada no município é cometida contra as mulheres e que 43% desta violência é doméstica, tendo sido efetuadas 21 prisões de agressores.

Há uma estatística nacional que informa que 52% das mulheres calam acerca da violência sofrida, e quando transportamos estes dados para a nossa ralidade, observamos que a situação aqui é mais grave do que se imagina.

Mas e qual é a novidade? Somos uma sociedade machista, onde as mulheres são criadas para servirem aos homens e os homens para dominarem as mulheres. Com uma possessividade imatura e insegurança disfarçada em misoginia, os homens da nossa terra são exemplo de uma sociedade falida, que ainda ousa defendera conservação deste modelo, onde a mulher sofre calada a violência que sofre.

A violência doméstica impera, lares que deveriam ser cheios de amor, mascaram a violência, que traumatiza quem sofre e quem vê, principalmente se forem crianças. Em uma sala de aula onde debatíamos a violência, um cartaz foi feito com a frase “a face do amor muitas vezes é a da violência”, o que me entristeceu bastante em informar ao aluno do cartaz que ele não estava sozinho, e que diversas outras crianças sofrem, ou sofreram, ao verem o terror dentro de casa com homens espancando, xingando, cerceando a liberdade de suas mulheres.

Meninos que acham normal puxar a garota á força para beijar, que acham normal prender a namorada em um relacionamento abusivo e limitador, garotos que acham normal a burra ideia de que “se ela não for minha não será de mais ninguém”. A mulher não é uma posse, a mulher é um ser e merece uma vida plena e livre de agressões, assim como qualquer um dos ditos homens, que por vezes tem a masculinidade tão frágil que só conseguem prová-la na porrada, como bons animais que são.

A Várzea não é tão alegre nos fins de semana para nossas mulheres, não bastasse a violência física, a tortura psicológica de não conseguir ter forças para sair deste ciclo de terror diminuem a alma feminina e causam enfermidades no corpo e na alma.

É necessário que uma nova cultura se estabeleça, e isso só vem através da constante luta das mulheres que não se calam diante da dor e superam o medo e escancaram a violência sofrida, dando margem para que a Polícia cumpra o seu papel dentro das limitações da justiça e dos recursos disponíveis.

É necessário que as próprias mulheres tomem consciência e se autoafirmem, se empoderem e se unam no combate a estes dados tão tradicionais da nossa cidade. Ou vão dizer agora que não conhecem de perto ou sabem de diversos casos de mulheres que apanham de seus machos na nossa terrinha?