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Ele tinha apenas 57 anos, e hoje nos deixou tristes porque esta não era um sentimento que costumamos relacionar com ele. Logo ele, Evar Aboiador, sempre um verso na ponta do gatilho, sempre uma rima alegre na ponta da língua, hoje calou-se, não o ouviremos mais.

Francisco Alves Vieira era o seu nome de batismo, mas seguia a nossa tradição de batizar as coisas segundo a nossa vontade e não segundo a burocracia dos cartórios: seu nome era Evar e ponto final. O conheci em momentos alegres de palavras soltas e rimas afiadas em festas no Sítio Rosário, onde ele compunha redondilhas bem humoradas sobre todos os presentes, o que particularmente para mim é simplesmente admirável, é uma das marcas da identidade cultural cearense mais belas: esse fluir de poesia simples e direta sem floreios, vinda de muita inteligência e destreza.

Infelizmente nem sempre se tem o talento reconhecido, e grande parte das pessoas não ouve os aplausos que merece, até porque as pessoas só dão o devido valor – e isso nem sempre – quando perdem aquilo que é tão preciso, mas por estar sempre ali por perto não se mensura a riqueza.

Embora que isso não se refira aos amigos e parentes, que sempre reconheciam o seu talento e faziam questão de o ver e ouvir improvisar.

A poesia local está de luto. Siga em paz: Evar.